If you don't love me, don't tell me.


In the end, my love, we have no choice. We have to find.

Regressar a Oslo é sempre regressar ao encanto do teu riso nervoso de criança-mulher. Os relógios não pararam como na casa dos Saramago mas, eu sei, o tempo deteve-se. Haveria ainda tanta vida diante de nós, meu amor. Gosto desta nossa história e regresso aqui, cinco anos volvidos, como quem volta a descobrir a poplítea. Pulsando na lembrança da tua boca.

Como medir o produto interno bruto de um País:

Conte-se o número de Teslas circulando nas ruas.

Why would you read a six-volume, 3,600-page Norwegian novel about a man writing a six-volume, 3,600-page Norwegian novel?

Prosseguindo uma tara recente, comprei o primeiro volume de My Struggle, de Karl Ove Knausgård, em Oslo. É fácil perceber o porquê de tão rapidamente se ter tornado uma obra internacionalmente aclamada, magnum opus entre bestas céleres: o escritor foi, em tudo, honesto.

For the heart, life is simple: it beats for as long as it can. Then it stops.

Somos passos. Um pé diante do outro até ao esgotar do tempo.

Veronika decide viver.

Choose... designer lingerie, in the vain hope of kicking some life back into a dead relationship. Choose handbags, choose high-heeled shoes, cashmere and silk, to make yourself feel what passes for happy. Choose an iPhone made in China by a woman who jumped out of a window and stick it in the pocket of your jacket fresh from a South-Asian Firetrap. Choose Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram and a thousand others ways to spew your bile across people you've never met. Choose updating your profile, tell the world what you had for breakfast and hope that someone, somewhere cares. Choose looking up old flames, desperate to believe that you don't look as bad as they do. Choose live-blogging, from your first wank 'til your last breath; human interaction reduced to nothing more than data. Choose ten things you never knew about celebrities who've had surgery. Choose screaming about abortion. Choose rape jokes, slut-shaming, revenge porn and an endless tide of depressing misogyny. Choose 9/11 never happened, and if it did, it was the Jews. Choose a zero-hour contract and a two-hour journey to work. And choose the same for your kids, only worse, and maybe tell yourself that it's better that they never happened. And then sit back and smother the pain with an unknown dose of an unknown drug made in somebody's fucking kitchen. Choose unfulfilled promise and wishing you'd done it all differently. Choose never learning from your own mistakes. Choose watching history repeat itself. Choose the slow reconciliation towards what you can get, rather than what you always hoped for. Settle for less and keep a brave face on it. Choose disappointment and choose losing the ones you love, then as they fall from view, a piece of you dies with them until you can see that one day in the future, piece by piece, they will all be gone and there'll be nothing left of you to call alive or dead. Choose your future, Veronika. Choose life.

T2: Trainspotting

I would so much like to live a little longer in this beautiful concentration camp.

Por vezes, viver pode parecer irracional. Naquele caso, certamente, poderia ser algo de irracional. Tão ilógico que chega a causar estranheza aceitar essa vontade. Ele assume uma vergonha de estar vivo, ocupar espaço, destoar do mundo, homem feito carcaça, feio, fraco e inútil para ser gente. Talvez que lhe fosse melhor morrer, acabar de vez com o sofrimento de existir num dia-a-dia que só pode conduzir a um mesmo fim. Contudo, fomos desenhados para acreditar. Somos sobreviventes. Contra todas as probabilidades, contra a razão, contra a carne, contra os outros e as expectativas e desejos dos outros. Fomos feitos para a vida mesmo quando é a morte quem nos chama. Por isso, ele quer viver. Ainda.

Da felicidade nos campos de concentração.

Não fala dos horrores. Não entende porque falam de horrores e acha ignorante o exagero, que se apelide de inferno. Ele não esteve no inferno, não conhece o inferno, só os campos. De resto, só encontrou o que seria natural encontrar num sítio daqueles. Não fala de infortúnio, de engano, ou de destino. O afamado destino judaico. Falar de destino seria admitir que não existiu liberdade de acção. Seria omitir a possibilidade de escolha entre a conivência e a resistência. Pior, seria afirmar que também a indiferença foi natural, tão natural como os próprios campos. Pelo contrário, fala de felicidade. Choca-nos com a felicidade. Também ela, tão natural.

(Fatelessness)

A felicidade está sobrestimada.

Repara como lhes custa mais dizer quanto ganham do que falar de felicidade.

FOMO

Investi em criptomoeda.

Poems about sluts.

A mediocridade pode ser insuficiente mas, ao menos é barata, fácil, não cansa. Quase como quem decide ir às putas em vez de investir numa relação.

Aquela vez em que, ao pequeno-almoço, questionaste a (im)possibilidade do tempo.

Estão sentados a tomar o pequeno-almoço. Já comentaram o estado dos ovos e o sabor do pão. Não têm nada para dizer um ao outro. Ela coloca a sua mão sobre a dele. Tenta calar o silêncio.

Dos deveres conjugais.

Sexo por obrigação é uma coisa que me causa quase a mesma repugnância que violência doméstica.

Se eu tiver dó e vir tudo o que eu neguei transformado em nós.


O amor não é geometria de paralelo, o amor é perpendicular, é oblíquo.

Os gatos não são felizes, são melhores.

Assim tu também, minha gata.

(tudo do Valério Romão, Dez razões para aspirar a ser gato.)

Do assumir.

São os heterossexuais quem assume que. O resto é pão e circo.

I am not a vegetarian because I love animals; I am a vegetarian because I hate plants.

Eu, que desconfio de pessoas vegetarianas, tive o meu melhor jantar de Budapeste, até agora, num restaurante vegan. O mundo anda estranho e eu com ele.

Shalom

Tratando-se de cidades, a minha área preferida é sempre o Jewish Quarter. Ganhar a eternidade não deve ser muito melhor do que isso.

Então que ganhe a melhor parte.


Absence is presence.

Nas condições certas, e é sempre difícil apurar quais estas são, a ausência pode ser presença, hipérbole manifesta da saudade. Porém, não te enganes, nenhum silêncio é acidental.

Livraria Palavra, Serendipity Bookshop

Vou ignorando até à última palavra o que, sei, me faria feliz: um dia terei de ter uma livraria.

Em todas as estações de metro te encontro.

As estações de metro são como aquelas outras, daquela cidade que me faz quente o Inverno, mais real a vida: múltiplas e incontáveis possibilidades de saída. E lembro-me sempre, como um aforismo ou epifania, daquela que foi talvez a primeira grande verdade que me deixaste: existem tantos caminhos.

Não te vou negar a visita às ruínas.

Budapeste não faz parte das minhas cidades preferidas. No centro, em algumas partes, cheira-se o mijo e o suor. Nos postes, nos cantos, nas paredes, nos passeios, o mijo sem decoro ou licença. Além disso, é uma cidade demasiado grande para ser acolhedora. Depois, encontrei o Szimpla Kert, o Café New York, o District VII e reparei nos eléctricos, bonitos como os nossos.

É preciso saber respeitar o passado para que o futuro possa ser respeitável.

É preciso fazer meia hora de eléctrico e mais quase uma hora de autocarro para lá chegar. Fica fora de Budapeste porque Budapeste quer esquecer. Tal como outros países da ex-URSS, destruíram-se estátuas, vandalizaram-se edifícios, mudaram-se nomes a praças e ruas, queimaram-se provas, todos os vestígios. Hoje, é preciso ir em busca de Lénine para encontrar um rasto de Lénine.

Até dá vontade de constituir família.

Vi-a, finalmente. This is Us é uma boa série: chora-se a cada episódio.