Somebody to die for




I become the cigarette and you the match or I the match and you the cigarette.

We have plenty of matches in our house
We keep them on hand always
Currently our favourite brand
Is Ohio Blue Tip
Though we used to prefer Diamond Brand
That was before we discovered
Ohio Blue Tip matches
They are excellently packaged
Sturdy little boxes
With dark and light blue and white labels
With words lettered
In the shape of a megaphone
As if to say even louder to the world
Here is the most beautiful match in the world
It’s one-and-a-half-inch soft pine stem
Capped by a grainy dark purple head
So sober and furious and stubbornly ready
To burst into flame
Lighting, perhaps the cigarette of the woman you love
For the first time
And it was never really the same after that


All this will we give you
That is what you gave me
I become the cigarette and you the match
Or I the match and you the cigarette
Blazing with kisses that smoulder towards heaven


Paterson (uma ode à beleza das coisas simples)

Viver é largar e seguir em frente.

Há dias de acordar para a felicidade e outros de acordar para a melancolia, a puta mais cara do bordel. O tempo haverá de suavizar tudo mas, por ora, essas figuras que fazes são apenas figuras tristes. Desnecessárias, sim. Que há que se possa ainda dizer depois disto?

Tudo o que tentamos submergir sempre acaba por vir ao de cima com as tempestades. As coisas aparecem-nos então todas remexidas, ao molhos, mortos dando à costa, menos arrumados do que os deixámos, sempre mais amorosos e perfeitos do que quando os deixámos. O que se faz quando tudo está fora do seu lugar?

Não serve pedra, papel, tesoura. Não serve o mar, deus, esta escrita de merda. Só a faca corta o fogo.

Das ideias românticas:

Não vás em ideias românticas: os loucos sofrem, os poetas morrem na miséria e o amor acaba.

Nem todas as lições são úteis.

Tenho aprendido muito com o meu AVC. Mas não precisava dele para nada.

Eu sei que não se ama sozinho.


Vim aqui só para isto.

A música é bonita mas enganosa: não se pode amar pelos dois. Não se pode amar por ninguém. Só se pode amar.

Acredito que no mundo há flores por abrir.

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo.

Não és melhor do que eu por comeres orgânico, vegetariano, ou sem glúten. Ires ao ginásio todos os dias, dares sangue, ires à missa aos Domingos, não te faz melhor do que eu. Não és melhor do que eu por fazeres voluntariado, nem por meditares, nem por acreditares. Não é por seres herói que és melhor do que eu. Ou vítima, ou nascido numa família problemática, de infância complicada. Teres cancro não te faz ser melhor do que eu. Estares a morrer não te faz ser melhor do que eu. Teres sobrevivido ou seres um lutador não te faz melhor do que eu. Não és melhor do que eu por estares a estudar medicina ou engenharia aeroespacial, por teres média de 20, ou por seres o presidente da junta. Não és melhor do que eu porque tens filhos, porque casaste pela igreja, nem porque tens carro e casa própria. Não és melhor do que eu por morares em Lisboa, no estrangeiro ou no cu de Judas. Ires à Tailândia em Maio e a Cuba em Novembro não te faz ser melhor do que eu. Não és melhor do que eu por seres doutor nem por te chamarem doutor. Teres a colecção completa da enciclopédia Larousse ou seres tu-cá-tu-lá com o xpto não faz de ti melhor do que eu. Não és melhor do que eu por teres um MBA. Teres cinco apelidos e uma Bimby não te faz melhor do que eu. Não é por fazeres greves, por ires a comícios, ou por votares que és melhor do que eu. Falares seis línguas não te faz melhor do que eu. Não és melhor do que eu por não beberes, não fumares, não jogares ou não foderes.

Não são os teus feitos, quem és, ou o que tens. É a forma como tratas os outros.

Às nove no meu blog.

De vez em quando, aparece aqui nova fornada ao engano. É assim que sei que ainda há material a render, mesmo que escreva cada vez menos. Nessas alturas, apetece-me fazer-lhe um favor, passar-me por editora, ou crítica, ou só mesmo mal-dizente.

Esclarecer-lhe, por exemplo, que aquele último foi uma péssima escolha, fraco gosto. Fraca-fraquinha qualidade. Recomendar-lhe, talvez, um par de poetas – agora tem-me dado para a poesia, parente mais próxima duma saudade - , Daniel Faria, o Pina dos gatos, Matilde Campilho, ou o Miguel Martins. Fazem milagres, palavra de honra. Mas, o pior, desactualizado. Até tive de esforçar-me para lhe entender o sentido, repare-se. É que poucas coisas há que sejam tão humilhantes quanto o não reconhecermos a ideia de felicidade, mesmo que agora uma ideia difusa e afastada.

Todavia, assim foi. Aquilo não era meu ou sequer podia ser eu. Mais concretamente, não podia ser meu, pela simples razão de que não versava sobre ela. Trata-se, portanto, duma questão da mais clara lógica para a qual qualquer variante é inadmissível, qualquer justificação implausível. É verdade que são sempre muitas e variadas as formas de amor e de que nenhum engano fui refém. Contudo, há certos sentimentos que exigem um rosto para alcançarem significância, um nome que os marca e que vai além daquele que trazem de nascença. Por isso o reparo, de natureza essencial. É que, para escrever de amor, tenho sempre de escrever sobre ela.

Procedam-se, assim, às designadas erratas, sem prejuízo de adendas. 

(passámos junto à montra da Bertrand e, tendo-lhe dito que aquela pessoa era muito fã da minha escrita, troçou de mim, pois claro.)

Eu também fiquei destruída.

Poucos sentimentos são tão destrutivos como a rejeição, poucos são tão úteis.

Tanta gente que preferia ser a Arábia Saudita.

Dizem que antes é que se estava bem. Uma pessoa baixava a cabeça, se fosse preciso dizia ao guarda que se tinha enganado, não se metia em grandes confusões. Guardavam-se as opiniões, que hoje se dão ao desbarato. Eles na dele e eu na minha e estava tudo bem. Para quê, problemas? Eu respeito-te e tu dás-me a minha fatia de liberdade. Ao menos Salazar morreu pobre mas deixou o País rico, estes, enchem os bolsos e deixam o País pobre. 

(tristes homens, estes que preferem ser escravos ricos do que homens-livres pobres.)

Simples assim (filho, não te enganes).

Não existem pessoas ocupadas. Existem pessoas para as quais não és uma prioridade.

É assim que sei que já sou grande.

Eis que dou por mim a sugerir uma marca de creme anti-rugas à minha mãe.

And as the feeling grows, she breathes flesh to my bones.

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.

Somos quem amamos.

O teu corpo deitado tem um sabor raro a coisas certas.

O imediato são os olhos. Seria um lugar-comum dizê-lo, portanto, não o digo. E, porém, é a primeira coisa em que se repara, porque é impossível olhar para outro lado. Tento resistir, mas qualquer resistência é vã. Enchem tudo. Meu deus, que imensidão. Há um deslumbre, um hipnotismo naquela luz, que chega a encandear. Como se de repente o universo estivesse ali e não houvesse mais questões no mundo que importassem resolver, órbitas translúcidas que nem berlindes num vislumbre da vida que ali se reflecte tão facilmente. Uma limpidez que não quero nunca que se esgote. Uma luz que nunca saberei dizer por mais que escreva e repita esta ideia de belo, matéria interminável dos seus olhos. Sucede-lhes como a certas coisas raras, certas. Não são de dizer, só de admirar. Só de amar.

Ser feliz é uma responsabilidade muito grande. Pouca gente tem coragem.

Eu não gosto de falar de felicidade, mas sim de harmonia: viver em harmonia com a nossa própria consciência, com o nosso meio envolvente, com a pessoa de quem se gosta, com os amigos. A harmonia é compatível com a indignação e a luta; a felicidade não, a felicidade é egoísta.

Saramago, o único

Mas o mundo nos chama loucos.

Mais amor por favor.

É dos sentimentos mais difíceis e, talvez por isso, dos mais nobres. Não é fácil perdoar e, todavia, é das maiores necessidades que o façamos. Por estas alturas, o diálogo cristão devolve numa sonância maior o eco de amor e perdão. As igrejas estão cheias, os corações vazios.

O perdão é um sentimento exigente. Exige-se muito do perdão. Às vezes, tudo. Perdoar é, por isso, difícil. Requer uma capacidade de empatia muito grande - de novo a empatia, ela tem sempre razão -, uma cedência e uma disponibilidade que nem todos estão dispostos a permitir-se. Há quem não troque a razão pela paz, quem faça de olho por olho lema e quem prefira uma perda a um empate, pessoas a quem o orgulho fere a vista e arrefece o coração. Tenho-lhe um dó fraternal.

Que o perdão seja fácil e talvez o amor seja, um dia, possível.

Cada um tem o seu engano de estimação. O meu é o mais vulgar: voltar atrás.

Está para chegar o ano que tanto esperámos. O mesmo que se fez futuro tantas vezes aguardado e sob a luz do qual traçámos os sonhos mais bonitos, projectos de felicidade como são todos e, como lhes é próprio, embrulhados num enviesamento optimista de fazer o sorriso largo e a espera longa. Finalmente tudo despachado e a vida, cheia, sempre cheia, pronta a começar. Sem remorsos.

Porém, como ao tempo sucede por vezes acontecer, atrasou-se. Hoje, chega o ano novo que tanto esperámos mas, já não chegamos nós.

A nossa democracia, não sendo perfeita, merece um pouquinho mais de respeito.

Não gostar de Mário Soares por se discordar dele é parvo mas, legítimo. Desejar a morte de Mário Soares por se discordar dele - preferencialmente antes de acabar o ano para não se estragarem as festas - é, simplesmente, parvo.

Os Portugueses

Prestassem os políticos e demais entidades a mesma reverência para com "os Portugueses" que se denota na Casa dos Segredos - não decepcionarás os Portugueses, agradecerás aos Portugueses, decidirão os Portugueses - e Portugal seria, seguramente, um sítio diferente.

Os Portugueses

Da mitologia; figura colectiva próxima dos deuses, autónoma e com poder decisor, que surge à superfície apenas duas vezes por ano: em época de eleições e em época de Casa dos Segredos.

I thought I had you on hold.


The stars and the charts and the cards make sense only when we want them to.